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Quando o Maestro do nosso corpo pede leveza e liberdade: O Fígado

  • Foto do escritor: Marcello de Alencar Silva
    Marcello de Alencar Silva
  • 7 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 13 de out. de 2025

Autor: Dr. Marcello Alencar

Imagine que o fígado é um grande maestro de uma orquestra. Sua batuta rege a sinfonia da vida, equilibrando os ritmos e harmonias que compõem nossa saúde física e emocional. Quando esse maestro está livre para conduzir, a música flui suavemente; mas e se ele estiver com restrições? O que acontece com essa orquestra interna?


Na psicossomática, entendemos que cada órgão do corpo não é apenas um componente físico, mas também um centro de emoções e experiências. O fígado, em particular, é frequentemente associado à raiva e à frustração (DETHLEFSEN; DAHM, 2003). Essas emoções, quando reprimidas ou não expressas, acumulam-se como notas desafinadas em uma partitura. A repressão emocional não só afeta o bem-estar psicológico, mas também pode manifestar-se fisicamente. Assim como uma orquestra desafinada gera ruídos desconexos, nosso corpo sinaliza que algo não está certo.


Quando o fígado está restrito pela repressão das emoções, ele não consegue mais desempenhar seu papel de purificação. As toxinas — tanto físicas quanto emocionais — começam a se acumular. Isso pode se manifestar em sintomas físicos como fadiga crônica, dores abdominais ou até doenças mais graves (WOLINSKY, 2005).


Além disso, essa amordaça emocional pode ter efeitos colaterais na comunicação entre os diferentes sistemas do corpo. O sistema imunológico pode enfraquecer, tornando-nos mais vulneráveis a doenças e estresse (KAPLAN; SADOCK, 2010). O estresse crônico tem sido associado a uma série de condições médicas, incluindo doenças cardíacas e distúrbios gastrointestinais. Quando não lidamos adequadamente com nossas emoções, estamos colocando em risco não apenas nossa saúde mental, mas também nossa saúde física.


A metáfora do maestro nos leva a refletir sobre a importância da expressão emocional. Para libertar o fígado de suas amarras, precisamos aprender a dar voz às nossas emoções. Técnicas como a Microfisioterapia permite que as pessoas processem suas experiências e liberem emoções acumuladas em um espaço seguro (FISCHER, 2007). Além disso, atividades meditativas ajudam a liberar tensões físicas e emocionais acumuladas no corpo.


A terapia também desempenha um papel fundamental nesse processo de libertação emocional e quando aliada a técnicas corporais possuem resultado promissores (SIEGEL, 2012). Ao permitir que nossas emoções sejam expressas e compreendidas, o maestro pode novamente conduzir a orquestra da nossa vida.


Quando começamos a ouvir as notas que antes estavam abafadas — as alegrias, tristezas e frustrações — proporcionamos ao fígado a liberdade de atuar plenamente. Essa libertação não só melhora nossa saúde física como também traz uma harmonia interna que reverbera em todos os aspectos da vida (LIPTON, 2005). O reconhecimento de nossas emoções é o primeiro passo para restaurar essa harmonia.


Portanto, se o fígado estiver restrito por sentimentos reprimidos e experiências não processadas, precisamos agir como compositores dispostos a reescrever essa sinfonia interna. Ao dar voz ao nosso maestro interior — permitindo que raiva seja expressa de forma saudável ou que tristezas sejam compartilhadas — estamos criando um espaço para cura e autodescoberta.


A jornada para libertar nosso fígado emocional pode ser desafiadora; no entanto, é essencial para nosso bem-estar geral. Ao respeitar nossos sentimentos e aprender a expressá-los adequadamente, podemos restaurar o equilíbrio em nosso corpo e mente. Assim como um maestro habilidoso traz harmonia à orquestra com sua batuta firme e sensível, nós também podemos reger nossas vidas com sabedoria emocional.


Referências:


DETHLEFSEN, Rüdiger; DAHM, Thorwald. A doença como caminho: uma abordagem psicossomática. São Paulo: Editora Cultrix, 2003.


WOLINSKY, S. A mente e o corpo: a psicossomática na medicina. São Paulo: Editora Manole, 2005.


KAPLAN, H. I.; SADOCK, B. J. Sinopse de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artmed, 2010.


FISCHER, A. Psicossomática: a medicina da mente e do corpo. São Paulo: Editora Summus, 2007.


SIEGEL, D. J. O cérebro e a mudança de comportamento: a neurociência da transformação pessoal. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2012.


LIPTON, B. H. A biologia da crença: como as crenças afetam nossa biologia. São Paulo: Editora Cultrix, 2005.


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Dr. Marcello Alencar

Fisioterapeuta - Crefito 92161-F

Av. Elias João Tajra, 1855 - Fátima, Teresina - PI, 64049-300

 
 
 

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